Um senhor muito velho de asas enormes
Em uma pilha de livros que me desafiavam a organizá-los na estante da escola, um deles tinha mais pó que o habitual pelo tempo em que estava ali esperando um destino mais confortável. Passei a mão sobre a capa para afastar a densa crosta de poeira suja e, imediatamente, meus olhos se detiveram na imagem de uma asa nas costas de um velho. Depois veio o título longo. E, então, um nome que era quase uma criança pedindo comida no farol: Gabriel García Márquez. O mestre do realismo mágico tem um longo relacionamento comigo. E, em conjunção com Júpiter, Sol e Lua Nova em Câncer, a possibilidade de eu conduzir as minhas leituras para a memória dos meus primeiros contatos com a boa literatura seria quase inevitável. Mas relutei. Já estava terminando um de Pessoa e ainda carregava outro de contos mitológicos. Muitos livros para levar na mochila, uma baldeação de metrô para fazer e dois ônibus até chegar em casa. Separei-o para guardá-lo na estante de contos. Quem sabe lê-lo em outro ...